Direito Desportivo

Depressão no futebol: como lidar e quais os direitos do atleta?

outubro 22, 2019
depressão no futebol
Tempo de leitura 7 min

Segundo dados mais recentes da Organização Mundial de Saúde (OMS), o número de pessoas deprimidas em todo o mundo ultrapassa os 300 milhões. É uma doença que afeta indivíduos de diferentes classes sociais e diversas ocupações. Nos últimos anos, temos visto um aumento de casos de depressão no futebol nacional. Trata-se de um transtorno frequente entre as principais condições que afetam o humor, raciocínio e comportamento. Por ser incapacitante, tem um papel de destaque na carga global de doenças. 

Por isso, trouxemos neste post algumas informações sobre como essa condição afeta os atletas, em especial os jogadores de futebol. Para saber mais sobre esse assunto, siga a leitura!

Quais são os principais sintomas da depressão?

Conhecer as manifestações da doença tem um papel importante no processo de diagnóstico e na eleição do melhor tratamento. Os sintomas afetam os sentimentos, pensamentos e o modo como o indivíduo desempenha suas atividades diárias básicas, como comer, dormir e trabalhar. Por isso, é fundamental estar atento aos principais sinais desse distúrbio:

  • humor triste;
  • ansiedade;
  • sentimento de “vazio” persistente;
  • desesperança;
  • pessimismo;
  • irritabilidade;
  • sentimentos de culpa;
  • perda de interesse pela vida;
  • sensação de inutilidade ou desamparo;
  • diminuição da energia;
  • perda de prazer pela vida;
  • fadiga;
  • sensação de inquietação;
  • dificuldade de concentração;
  • dificuldade para dormir ou despertar;
  • dormir demais;
  • alterações de apetite;
  • dores sem causa física clara;
  • pensamentos de morte ou suicídio;
  • tentativas de suicídio.

O que causa a depressão em atletas?

Apesar de não fazer distinção entre classe social ou formação, algumas profissões têm um fator de estresse adicional que torna seus profissionais mais suscetíveis à depressão. É o caso dos atletas. São muitos fatores relacionados à carreira dos desportistas que agravam essa condição: distância da família, treinamentos, pressão por resultados, exposição na mídia, competitividade, entre outros.

Depressão no futebol

Entre os esportes, o futebol, provavelmente, é a modalidade que deixa os atletas um pouco mais expostos a esse transtorno. Isso porque a carreira começa muito cedo e, durante sua formação, os jovens acabam privados das suas vidas particulares para conseguirem espaço nesse ambiente competitivo.

Os jogadores de futebol acabam pulando etapas e fazendo muitos sacrifícios em prol do sucesso profissional. Além disso, os atletas comumente sofrem contusões e lesões que colocam em risco sua atuação, trazendo incertezas em relação à carreira e deixando os jogadores mais vulneráveis a distúrbios emocionais.

Como lidar com a depressão no futebol?

O futebol é uma paixão nacional e a cada dia aumenta a importância de cuidar da saúde mental nesse esporte. Um jogador deprimido vê seu rendimento técnico e físico ser afetado. Por isso, é essencial trabalhar o psicológico para que o atleta aprenda a lidar com eventual afastamento dos gramados, e se prepare corretamente para o seu retorno.

No Brasil, a psicologia esportiva ainda não tem o mesmo destaque que nos países europeus. Apesar disso, alguns clubes já têm investido em psicólogos para o atendimento de todo o time. Esse é o primeiro passo para cuidar da saúde mental dos jogadores.

Tratamento

Quanto mais cedo o distúrbio for tratado, maiores serão as chances de melhora. O tratamento, geralmente, é feito com o uso de medicamentos e acompanhamento psicoterápico. A escolha do medicamento antidepressivo depende do subtipo do transtorno, dos antecedentes pessoais e familiares, e da presença de outras doenças clínicas.

Caso essas opções não surtam efeito, podem ser adotadas outras intervenções, como a terapia eletroconvulsiva ou outras terapias de estimulação cerebral.

Quais os casos mais conhecidos de depressão em jogadores?

Aos poucos, o assunto tem ganhado mais repercussão nas grandes mídias. Alguns jogadores já foram notícia por sofrerem desse mal. Veja, a seguir, as histórias de depressão de alguns atletas do futebol nacional.

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Thiago Ribeiro

Foi diagnosticado em 2013, quando era jogador do Santos. Durante sua luta contra a doença, precisou fazer uso de antidepressivos, que impactaram a concentração, o sono, os reflexos e o apetite do atacante.

Ronaldo Fenômeno

Após sofrer uma grave lesão no joelho, o craque começou a apresentar um quadro depressivo. A incerteza da recuperação fez agravar o quadro, que só teve melhoras com a evolução do tratamento da lesão e o retorno da esperança de voltar aos gramados.

Nilmar

O atacante — que já passou por vários clubes, como Corinthians, Inter e pela seleção brasileira — tem mais de 15 anos de carreira e um grande histórico de lesões graves. As sucessivas interrupções em sua atuação ao longo dos anos foram agravando o quadro depressivo do jogador. Ele segue em tratamento. 

Pedrinho

O jogador já atuou no Vasco, Palmeiras e na seleção brasileira. Ele passou por três cirurgias no joelho em menos de três anos, o que ocasionou muito tempo parado durante esse período. Diante de todos esses problemas, o jogador ainda precisava lidar com a pressão pelo retorno rápido e a cobrança de pessoas que duvidavam do seu real estado físico. Tudo isso serviu como estopim para a doença.

Cicinho

Cicinho é um bom exemplo de que nem sempre a depressão surge como resultado de lesões. No caso do jogador, ele viu sua fama crescer rapidamente quando foi para o Real Madrid. A sensação de já ter atingido o topo da carreira fez o craque encarar uma sensação de vazio por não enxergar mais a necessidade de se dedicar em prol de um objetivo ainda maior.

Quais são os direitos dos atletas?

Os atletas profissionais têm seus direitos trabalhistas e previdenciários assegurados pela obrigatoriedade de o clube assinar sua carteira de trabalho. Contudo, seus contratos de trabalho não são inteiramente regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), uma vez que devem ser observadas as peculiaridades das normas especiais da profissão, como a Lei n.º 9.615/98, conhecida como Lei Pelé.

A qualquer atleta que pratica esporte com vínculo empregatício, são aplicadas as normas gerais da legislação trabalhista e da Seguridade Social, como disposto no parágrafo 4.º do artigo 28 da Lei nº 9.615/98:

“§ 4.º Aplicam-se ao atleta profissional as normas gerais da legislação trabalhista e da Seguridade Social, ressalvadas as peculiaridades constantes desta Lei”.

Dessa forma, podemos considerar os atletas profissionais de futebol como segurados obrigatórios. Eles têm assegurados diversos benefícios previdenciários, como auxílio-acidente, auxílio-doença, salário-família, aposentadoria por invalidez, auxílio-reclusão, aposentadoria por tempo de contribuição, aposentadoria por idade e pensão por morte.

O contrato de trabalho pode prever outros benefícios para os jogadores, incluindo afastamentos para tratar da saúde e tratamentos bancados inteiramente pelo clube contratante. Caso não exista cláusula extra que beneficie o atleta nesse sentido, aplicam-se as normas previstas aos demais trabalhadores, ficando assegurado o direito ao afastamento para tratamento da doença segundo as regras da CLT e da Seguridade Social.

Seja de curta ou longa duração, de intensidade moderada ou grave, a depressão é uma condição que pode abalar de forma crítica a saúde e o bem-estar. Essa doença afeta pessoas de diferentes idades e estilos de vida, e vem ganhando destaque entre os atletas profissionais. Por isso, a depressão no futebol pode interferir no desempenho dos jogadores, sendo um fator de risco para o sucesso de suas carreiras. 

Gostou das dicas? Agora que você conhece mais sobre como a depressão afeta os atletas, descubra os desafios dos jogadores de futebol

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